oi pessoas,
o Mau postou algo exatamente no momento em que eu ia postar também. E pra dizer coisas muito parecidas, rsrsrsr.
Na verdade, tenho medo de que a necessidade de conceituar se torne uma obrigação. Mas acho que é um exercício necessário, uma forma de não separar as coisas, prática e conceito. E sinceramente acho que conceituar é uma forma de ampliar a nossa própria prática. Cada vez mais tenho certeza disso. Minha experiência na Balagan tem me mostrado demais o quanto as duas coisas são indissociadas, alimentam-se mutuamente. O conceito faz emergir uma prática às vezes muito mais potente, uma reflexão sobre o que foi realizado às vezes faz dar saltos e saltos no caminho que, de outra forma, seria lento e bem mais tortuoso; além disso, a prática inevitavelmente cria conceitos o tempo todo. Sempre insisto com vocês no fato de que temos sim, ao longo desses anos todo, criado nossos próprios caminhos poéticos e conceituais, e ainda quero insistir mais um pouco (e lembrando que eu acho muito que isso vai além da dicotomia corpo X palavra...)!
Todo grupo tem aqueles momentos na criação em que acontecem uns entraves, momentos em que a coisa se repete e não se renova, no sentido negativo mesmo, não estou sequer falando das formas. Mas sinto que, no nosso caso, cresceríamos muito se tomássemos consciência do que temos feito, porque isso certamente nos eluciadaria muito sobre o que queremos fazer, sobre o que estamos fazendo agora. E, parece bobo o que vou dizer, mas a consciência é o primeiro passo para buscar outras coisas. É claro que podemos dizer, Má, que não é nosso momento, mas talvez porque a gente esteja entendendo conceituação como algo acadêmico, o que não é, e esteja desacostumados mesmo, e isso dá mesmo preguiça, parece mais difícil do que é.
A intuição, como diz o Mau, também gera conceitos, gera procedimentos, gera condutas, gera vontades. Enfim... concordo com o Mau que é um momento de fazermos esfrços pra pensarmos sobre nossa prática, e sinto muito a necessidade de ouvir mais todo mundo.
Isso que escrevo não é uma pressão. Acho que manifesta mais minha profunda crença na importância dessa nossa discussão.
beijos a todos
Nat
ps: Má, estou sim lendo o Van Gogh (aliás, ele me alimenta muito nesse sentido todo dessa nossa conversa...)
abaixo, trechinho dele que me tocou muito, ontem, quando li:
"Ah, parece-me cada vez mais que as pessoas são a raíz de tudo e, embora seja eternamente melancólico não viver a verdadeira vida, no sentido de que valeria mais trabalhar a própria carne que a cor ou o gêsso, no sentido de que valeria mais fabricar crianças que fabricar quadros ou fazer negócios, ainda assim sentimo-nos vivendo quando pensamos que temos amigos entre os que também não estão na verdadeira vida."
(Van Gogh)
5 de agosto de 2008
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