9 de abril de 2009

Encontros...

Queridos auto-retratos,

resolvi postar uma postagem que bloguei para o Corrosivo (coletivo que faço parte).
As discussões que tivemos neste encontro se aproximam de nossas vivências e resolvi compartilhar com vocês.

Beijos
Thaís


Corrosivo encontra Quarto Physical TheaterJan 1, '09 6:00 AM
for user thathais
Postar, postar e postar...
ando devendo esta postagem desde nosso encontro com a Quarto Physical Theater / Quarto Teatro Físico / Quarto Fysisk Teater...
O que dizer deste encontro...
Foram tantas divagações... discussões existenciais sobre uma mesa com toalha de (algo que a gente tinha gostado muito, mas eu não me lembro o que é)... lá na casa da Renata...

Qual a condição do artista...

Como poder ser o que se propõe a ser, num país onde a dificuldade financeira grita, e o capital domina.

Foram tantas questões...
*Lembro-me de um de nossos ensaios, o primeiro para Leandro e Ana, onde falamos das *questões personagem/ator... ou personagem vs ator
*
Afinal, que máscara é essa que eu trago e que muitas vezes não parece fazer sentido... ?

Um dia corrosivo e quarto se encontram na sala de um tal eletricista. Resolvemos conversar a partir do corpo. Não falamos... respiramos e fizemos uma partitura de movimentos... uma sequência onde a base era a respiração e a região do ventre... Tão filosófica quanto nossas conversas... tão existencial quanto...
A Renata vencendo seus LimitesBacia... lindo ver a Ana trabalhando ao lado da Renata, e lindo para mim e a Carol que recebemos o olhar do Leandro...
UMA HORA A CABEÇA DEU PANE... OU FOI O CORPO. o Meu...

Tudo iso aconteceu na primeira semana de novembro e agora ficou caótico na minha memória....
quebra cabeças.

Não consigo mais ter certeza de nada... acho isso, acho aquilo

Acho que os olhares entre as caldeiras são esses quebra-cabeças que vamos montando durante o processo... um dia a gente acha uma peça dentro de um experimento e coloca sobre a mesa para tentar encontrar onde ela se encaixa... mas talvez esse encaixe possa variar a cada novo dia...
cada peça surge da relação entre os corrosivos e principalmente das pessoas que passam por nós e nos deixam marcas.

Fragmento-me novamente... e tento mais uma vez...

Ensaio aberto da Quarto
frutas, casacos de pele, saltos, fitas, nu, o macaco, o som, microfone, a maça na boca de quem fala... uma cantora de Blues/Rock?
"Tente ser você" - ela diz pra ele.
"Vamos tentar outra coisa" -ela diz novamente.
Deixe essa máscara, seja você.
Ela dança. dança? sim, ela dança
Ele lembra da infância... me remeto ao Retornarse
Ela come suas mexiricas/seios
Ele dança nu com a maça na boca
em algum momento ela colocou fita crepe vermelho no chão e falou de macacos...
ele andou entre esta fita e comeu o microfone.
Assim? nessa ordem?
assim nesse momento. agora.
São tantas fotos em minha retina... tantos sons e cheiros que restam... eu poderia narrar um principio meio e fim, mas não é isso... não é isso que quero...

Abraços longos e apertados...
Parece que novamente reencontrei pessoas que fazem nossos olhos brilharem
Meu coração quer saltar pela boca, porque eu realmente estava extremamente a flor da pele. calma... um pé depois do outro... calma... respiro uma felicidade melancólica de ter me reencontrado no encontro com eles... eles corrosivo, eles quarto, eles auto-retrato.

Não vou reler...
vai assim como um fluxo de pensamento
não quero correções,
quero o agora.

Thaís

4 de março de 2009

Fotos de ensaio (01/03/2009)

16 de janeiro de 2009

Leme (ainda), 16 de janeiro de 2009

Lendo Yoshi Oida. Transcrevo um trecho longo. Talvez já conheçam. Mas é que dividir com vocês é minha forma de reter isso tudo, que não me chega como lição de cartilha, mas que me ilumina muito o coração.

Um mestre zen uma vez observou que, no momento do nascimento, cada ser humano contém uma semente, a qual pode crescer e se transformar na "flor" da divindade. Pensar nas atitudes divinas como se fôssem um tipo de "chuva" faz com que a semente germine e cresça. A compreensão da divindade é a "flor", que por sua vez produz o "fruto" da iluminação. Essa "flor" é a mesma que aquela do ator. Uma vez que tivermos começado a estudar na infância, cada idade nos trará uma compreensão nova e aprofundada do que significa ser ator. Olhamos para nós mesmos objetivamente, analisamos nossa habilidade, treinamos, buscamos nós mesmos, estudamos, e então, quando a "flor" se abre, batalhamos para mantê-la. E continuamos a alimentá-la, de maneira que não murche e morra.
Mas, para produzir uma bela flor, temos de saber no que consiste a semente. Acredito que essa bela "flor" nasça da abertura do coração. Devemos descobrir como isso se dá, uma vez que a qualidade da nossa atuação reflete isso. Mesmo que o corpo esteja velho e decadente, alguma coisa especial e límpida pode surgir se tivermos cultivado um coração forte e aberto. Isso ultrapassa a técnica.
Zeami nos oferece três conceitos que definem o trabalho do ator. Ele os descreve na forma de elementos como pele, carne e osso. A pele é a beleza externa do ator, a carne é a beleza que vem com o treinamento, e o osso é a natureza essencial da pessoa, é um tipo de beleza espiritual. Alguns atores nascem com uma qualidade inata, que é o esqueleto de seu trabalho. Aí o treinamento resulta na carne, e o que finalmente surge externamente, para o público, é a pele.
Uma outra maneira de apresentar essa noção é ver, ouvir e sentir. Primeiro, o público vê o ator: a beleza que enxergamos é a pele. Segundo, a musicalidade da interpretação, o ritmo e a harmonia da expressão que ouvimos é a carne. Finalmente, a interpretação nos leva a um nível mais fundo, quase metafísico; sentimos alguma coisa muito profunda. Esse é o osso do trabalho do artista. No palco está a beleza do corpo, a beleza do espetáculo, e a beleza da mente que criou a interpretação. Para ser um bom ator, cada um desses elementos precisa ser mantido no mais alto nível.
Quando falo de beleza não me refiro à atração ou beleza da moda. Se nosso espírito (osso) é bonito, é isto que estará na superfície.
Havia uma vez um jovem samurai que estudava com afinco e as pessoas começaram a comentar quão bom ele era. Notaram que ele era altamente habilidoso, já que tinha claramente adquirido muito técnica. Um dia, depois de praticar no dojo, foi a um restaurante, ali comeu e tomou um taça de vinho de arroz. Finalmente se levantou pra ir para casa, mas naquele horário estáva muito escuro e ele não via um palmo diante do nariz.
No entanto, já que tinha desenvolvido sua prontidão e sensibilidade como parte do treinamento de samurai, estava apto a caminhar pela estrada. Acabou chegando a um rio e, quando estáva atravessando a ponte, chocou-se contra alguém. Imediatamente sacou da espada, mas já era tarde; uma outra espada já estáva posta na sua garganta. Não havia nada que pudesse fazer.
O outro homem disse: "Ouvi dizer que você é um guerreiro famoso, mas não pode ser verdade. Você não é forte o suficiente. Você não é capaz de se defender contra minha espada. Você adquiriu muita técnica e está satisfeito com isso. Você é completamente inútil. Seria melhor se eu o matasse agora."
A espada espremeu-lhe um pouco mais a garganta. Então, num movimento totalmente inesperado, o jovem samurai ameaçado saltou no rio. Era inverno, e a água estáva congelando, mas ele deu um jeito de se salvar. Então gritou ao seu oponente: "Você é muito forte, por favor me diga o seu nome!"
O estranho respondeu: "Não, não quero dizer-lhe meu nome. Mas se você se sentir envergonhado por causa deste encontro, vou lhe dar um conselho. Treine o seu ser interior. Técnica não é suficiente. Se você puder dar um jeito de ir além da técnica, você será muito forte. Acontece que agora você está satisfeito com o seu dominio técnico e acha que isso o faz competente. Está errado. Você tem de ir além da técnica.
Então o samurai perguntou: "O que é ir além da técnica?"
E a resposta: "Uma outra existência. Dentro da sua existência física há uma outra existência. Quando você encontrá-la irá compreender."
...


Beijos
Nat

4 de janeiro de 2009

Leme, 04 de janeiro de 2009!!!
Olá queridos, feliz ano novo pra todo mundo!!!!

bom, passo o ano dizendo que não tenho tempo pra fazer nada, pela quantidade de trabalho que costumo ter e, agora que teoricamente tenho férias, cá estou eu pensando em... trabalho!! ehehe


Aliás, isso me faz ter certeza de que o meu trabalho e minha vida são mesmo quase indissociáveis. Esta constatação tem sido forte nestes dias, sem dores, sem peso, apenas feliz por reencontrar um lado da nossa profissão que não é o burocrático, mas sim de paixão mesmo, de uma entrega contente.
Por isso, nestes dias de folga, eu tenho sentido vontade de estudar, de entender melhor o que temos feito. Promessa de ano novo agora é bancar o meu trabalho, minhas escolhas artísticas. Desculpem se estou sendo "caxias", nerd demais, mas achei que seria interessante compartilhar com vcs um pouco disso...


Bom, lendo alguns textos do Grotovski, um trecho me chamou a atenção:


“O que é possível? Em primeiro lugar, o confronto com o mito mais do que com a identificação. Em outras palavras, enquanto mantivermos as nossas experiências privadas, podemos tentar encarnar o mito, vestindo a sua incômoda pele para perceber a relatividade dos nossos problemas, a sua ligação com as raízes e a relatividade das “raízes” à luz da experiência contemporânea. Se a situação é brutal, se nos despimos e tocamos um estrato extraordinariamente íntimo, expondo-o, a máscara cotidiana se rompe e desaparece.”

...

Em segundo lugar, mesmo com a perda de um “céu comum” de fé e com a perda de fronteiras inexpugnáveis, a perceptividade do organismo humano permanece. Somente o mito – encarnado na realidade do ator, no seu organismo vivente – pode funcionar como um tabu. A violação do organismo vivente, o desvelamento levado a excesso ultrajoso, reporta-nos a uma situação mítica concreta, a uma experiência de verdade humana comum.

Jerzy Grotowski – Em Busca de um Teatro Pobre (página 111)
É que tenho mesmo refletido no quão universal e legítimo é o termo que usamos pra definir nosa pesquisa: Pessoalidade. Quando nos chamamos Auto-Retrato claramente aspiramos ser algo, e claramente associamos nossa busca à idéia de Identidade. E muitas coisas compõem o que somos, a nossa identidade. Muitas dessas coisas provavelmente a gente contemple em nossos espetáculos, conscientemente ou intuitivamente, como a relação com o tempo: o presente, o jogo, e a memória.
Lendo umas coisas na internet, descobri que, de fato, a Psicologia e as Ciências Sociais sequer concebem falar de Identidade sem tocar na temática da Memória. Justamente porque a memória de um indivíduo, ou de um país, está na base da formulação de uma identidade
Uma das coisas legais que percebi é que a idéia de lembrança em si não é um conceito fixo, mas inclui as mudanças pelas quais passamos. Memória não é algo que prescinda da representação, da mudança, da reavaliação.
A mesma recordação pode ser lembrada diferente conforma a etapa de nossa vida. E isso me fez, claro, pensar muito na frase do Guimarães, do Nenhum Nenhuma: "Como eu vivi e mudei, o passado mudou também".
Não vou querer aqui entender os pormenores dos conceitos todos, nem é este meu objetivo, mas percebi que há distinções dentro do próprio conceito, e eu vou separar aqui (muito aleatória e irresponsávelmente) pra gente, alguns tipo deles:
-Mémoria individual: mais ligada às recordações particulares da pessoa, vividas por ela.
- Memória Coletiva ou Social: têm origem na teoria psicossocial sobre a memória de Maurice Halbwachs (1990). Defender que as recordações são sempre originarias no grupo social ao qual o sujeito faz parte. Incluem o ponto de vista de quem recorda, do individuo, existem com a finalidade de continuidade de uma comunidade, estão vivas. “Os quadros coletivos da memória não se resumem em datas, nomes e fórmulas, que eles representam correntes de pensamento e de experiência onde reencontramos nosso passado porque este foi atravessado por isso tudo”. A memória apóia-se sobre o “passado vivido”, o qual permite a , reconstituição de uma narrativa sobre o passado do sujeito de forma viva e natural, mais do que sobre o “passado apreendido pela história escrita” (HALBWACHS, 2004: p.75).
E, ainda diz: "a lembrança é em larga medida uma reconstrução do passado com a ajuda de dados emprestados do presente, e além disso, preparada por outras reconstruções feitas em épocas anteriores e de onde a imagem de outrora manifestou-se já bem alterada” (HALBWACHS, 2004: pp. 75-6). "
- Memória Histórica: bom, pelo que eu entendi, existe uma distinção entre essa e memória Social. A história, pro tal do Maurice Halbwachs, "começa somente do ponto onde acaba a tradição, momento em que se apaga ou se decompõe a memória social. Enquanto uma lembrança subsiste, é inútil fixa-la por escrito” . Ou seja, a história se refere menos ao indivídio, a algo vivo ou à continuidade de um processo. "A história de uma nação pode ser entendida como a síntese dos fatos mais relevantes a um conjunto de cidadãos, mas encontra-se muito distante das percepções do indivíduo, daí a diferenciação estabelecida por Halbwachs entre Memória e História"
- Memória Ancestral: bom, aí é onde reside minha obcessão, porém eu não achei uma definição exata pro termo... minhas pesquisas me levaram a idéias menos "cientificas" e mais espiritualistas, mais ocultistas. No entanto, na própria leitura dos textos do Grotovski e em algumas coisas que andei lendo acho que poderíamos dizer que esse tipo de Memória se refere a um contexto mais mítico mesmo. Os mitos que nos compõem, e que se manifestam em formas de imagens, arquétipos. Falando em mito:
De outro lado, o mito é sempre uma representação coletiva, transmitida através de várias gerações e que relata uma explicação do mundo. Mito é, por conseguinte, a parole, a palavra "revelada", o dito. E, desse modo, se o mito pode se exprimir ao nível da linguagem, "ele é, antes de tudo, uma palavra que circunscreve e fixa um acontecimento". "O mito é sentido e vivido antes de ser inteligido e formulado. Mito é a palavra, a imagem, o gesto, que circunscreve o acontecimento no coração do homem, emotivo como uma criança, antes de fixar-se como narrativa".
O mito expressa o mundo e a realidade humana, mas cuja essência é efetivamente uma representação coletiva, que chegou até nós através de várias gerações. E, na medida em que pretende explicar o mundo e o homem, isto é, a complexidade do real, o mito não pode ser lógico: ao revés, é ilógico e irracional. Abre-se como uma janela a todos os ventos; presta-se a todas as interpretações. Decifrar o mito é, pois, decifrar-se. E, como afirma Roland Barthes, o mito não pode, conseqüentemente, "ser um objeto, um conceito ou uma idéia: ele é um modo de significação, uma forma". Assim, não se há de definir o mito "pelo objeto de sua mensagem, mas pelo modo como a profere".
Pelo pensamento de Carl Gustav Jung talvez pudessemos pensar o mito como a conscientização de arquétipos do inconsciente coletivo, quer dizer, um elo entre o consciente e o inconsciente coletivo, bem como as formas através das quais o inconsciente se manifesta. Arquétipo, do grego "arkhétypos", etimologicamente, significa modelo primitivo, idéias inatas. Como conteúdo do inconsciente coletivo foi empregado pela primeira vez por Yung. No mito, esses conteúdos remontam a uma tradição, cuja idade é impossível determinar. Pertencem a um mundo do passado, primitivo, cujas exigências espirituais são semelhantes às que se observam entre culturas primitivas ainda existentes. Normalmente, ou didaticamente, se distinguem dois tipos de imagens:
a) imagens (incluídos os sonhos) de caráter pessoal, que remontam a experiências pessoais esquecidas ou reprimidas, que podem ser explicadas pela anamnese individual;
b) imagens (incluídos os sonhos) de caráter impessoal, que não podem ser incorporados à história individual. Correspondem a certos elementos coletivos: são hereditárias.
A palavra textual de Jung ilustra melhor o que expôs: "Os conteúdos do inconsciente pessoal são aquisições da existência individual, ao passo que os conteúdos do inconsciente coletivo são arquétipos que existem sempre a priori.
Bom, pelo que percebi, essas separações sobre o conceito de Memória são puramente conceituais, já que na prática são coisas que se permeiam, que coexistem e que dependem uma da outra pra se manifestarem. A Memória individual influencia a Memória Coletiva que, por sua vez, inclui coisas da Memória Histórica. A Memória Ancestral compõem e composta por todas as outras... enfim...
aiaiaiaiaiaiaia pessoas, estou viajando. Talvez e muito provavelmente muito dessas coisas que escrevi estejam profundamente equivocadas mas o importante é que eu comecei a fazer o exercicio de pensar qual desses "tipos de Memória" os nossos espetáculos abordam, temáticamente, ou pelo processo de investigação, enfim. O Retornase obviamente queria se referir a um tipo de memória individual mas, hoje, pensando, acho que tocou de alguma forma numa me,mória mais mítica, arquetípica (ancestral), principalmente nos momentos de fluxo, nas danças - infância, ballet, adolescência, aula de dança.
Hoje, de alguma forma, o Ruido dialoga coma idéia de Memória Histórica, mas também Coletiva... O Vôo Solo claramente traz um mito (a vontade de voar) como objeto principal, enfim...
O Seis da Tarde fala do que gostaríamos de ser, da recriação e reinvenção do nosso passado, de nossas lembranças, de nós mesmos, diante do olhar do outro.
O Não-Distãncia trilhava um caminho de memórias individuais tentando tocar nas memórias ancestrais, e tocar em arquétipos como A velhice, o amor, a infância...
enfim...
Bom, ai, lendo o Grotoviski, eu fiquei pensando na nossa responsabilidade sobre como de fato evocar essas memórias. Memórias diversas, que podem adotar formas diversas, mas que compõem uma identidade complexa, uma Pessoalidade como a vislumbramos
Acho que o caminho do corpo foi por algum tempo muito claro no nosso histórico. E é o caminho que o Grotovski adotava. Afinal, ele achava que a nossa sociedade perdeu o sentido e a prática do mito, da religião, da cultura oral e, por isso, atentar para a realidade do corpo orgânico seria uma das únicas maneiras de nos religarmos com nossas verdades mais essenciais, nossas raízes, nossos "mitos particulares", como ele chamava.
Mas qual é o nosso caminho agora? Nossa via de acesso à memória? Em cada um dos processos?
Pensando no que temos discutido nos últimos tempos, tenho receio de que estejamos pensando a idéia de Metodologia antes de pensar no que queremos dela.
Pensei de repente que a coisa da Memória, no nosso trabalho, não define apenas os temas que escolhemos trabalhar mas também é definidora do que até agora conquistamos como metodologia de trabalho própria.
Não sei se continuaria destacando apenas uma concepção de criação baseada na Identidade (ou Pessoalidade??) ou se incluiria mais fortemente nossas abordagens sobre a Memória. E, claro, isso justamente porque começo a achar que a nossa forma de conceber Identidade/pessoalidade talvez seja pela investigação da Memória...
Enfim, queridos, desculpem o texto imenso logo neste começo de ano.
Espero que de alguma forma interesse a vocês isso que andei pensando, ehehehehe. Se não interessar, façam de conta que é trote de ano novo, ok?
E que venha 2009!!!
bjcas
Nat

18 de novembro de 2008

ok,
vou postar rápido, porque nao tenho muito tempo, mas acho que queria colocar algumas coisas importantes:

primeiro, prático. Nao estou escrevendo concretamente nada, estou tentando colocar alguns pontos de discussao pra gente pensar junto, que fazem com que o projeto fique mnais claro na hora que vocês forem escrever.

segundo, sobre os três módulos que vocês propoe: estou de acordo com os dois primeiros, acho duas boas idéias, com coerencia, que se conpletam (nao sei apenas se comecaria com o jogo ou com o mergulho individual, mas isso é uma discussao mais profunda sobre o caminho que queremos percorrer). Quanto ao terceiro, eu nao gosto da escolha. Acho a relacao das acoes físicas com a individualidade mais questionavel, nao é exatamente um trabalho que me interessa desenvolver em profundidade e eu nao vou pessoalmente com a cara do Matteo (pessoal, a energia nao bate, nao quer dizer que nao trabalharia com ele, mas...) Por fim, sinto MUITA falta de um módulo realmente mais centrado em movimento, acho que sinceramente pra mim seria um elemento importante para o meu desenvolvimento dentro do projeto (sem querer puxar a sardinha, mas todos sabemos que as questoes diretamente ligadas ao corpo como forma de expressao sao as que mais me interessam e acho nesse sentido as acoes físicas muito pouco). Me parece, até pelo histórico do grupo e pela importância que o processo sensível parece ter dentro dele, o butoh seria uma opcao mais coerente e para mim mais interessante.

Sobre as oficinas: eu concordo com a Nat que o formato proposto por vocês pode ser uma armadilha, acho muito cedo pra passarmos adiante algo que nós mesmos vamos estar em processo de incubacao. Os módulos propostos por ela poderiam ser uma idéia, mas eu nao sei se nao proporia, de forma mais simples, um núcleo paralelo no projeto, composto de outros atores que nao fazem parte da companhia mas que tem interesse em conhecer um pouco do nosso trabalho, com essa abordagem: vivencia da metodologia de trabalho da companhia. Claro que isso nao pode ser o comeco do projeto, porque há muito o que conversar até se decidir sobre o que é essa metodologia, mas acho que existem pontos, de repente dentro dessa proposta podem haver modulos coordenados por diferentes pessoas (como a questao do corpo por mim, a criacao de uma personagem por um de vocês do seis da tarde, uma abordagem mais performatica da thaisinha, etc.)

Sobre o projeto. Pode ser que vocês (nat e thais) tenham razao e eu nao, mas continua me parecendo muito inconscistente dizer que vamos fazer um espetáculo com uma dramaturgia criada sobre alguma coisa que vai aparecer ao longo do processo. Acho que nao precisamos indicar um material, mas apontar caminhos seria importante. Eu sou totalmente favorável a criar uma dramaturgia própria, mas porque nao criá-la a partir de alguns apontamentos pré-definidos?

Ultima coisa: sobre a Gabi... Como vocês perceberam, ela está bem confusa sobre o que fazer... Isso me deixa, é claro, numa situacao um pouco mais dificil do que eu tinha imaginado. Enfim, só pra dividir o problema com vocês

beijos
mau

17 de novembro de 2008

é a gabi

Ai....
Ai.....
Aiiiii.......
é isso o que penso a respeito de tudo. Muuuuuuita crise. Pensem em como seria pra voces se agora alguma cia que voces gostam na Alemanha convidasse voces pra mudar de país... É assim que eu me sinto. Crise, crise, crise... Tou num grupo de Trapézio de voo, em estágio embrionário, com perspectivas de turne em 2010 com um circo próprio, mas ainda sem grana, sem projeto... Pensa assim: trabalho de cia, cooperativo, mas no universo do circo... Aí, as pessoas com quem eu trabalho a anos, que eu gosto muito, aparecem com uma perspectiva real e tentadora de largar mao de tudo e voltar... Aiiiiiii, crise, crise... Ai, o Mau quer ir... e aí? Qual as possibilidades????? Ai.....
As vezes nao sei mais se faco parte, as vezes me vejo trilhando outros rumos, mas também pode ser só uma sensacao de trabalho novo, Workshop fresco na cabeca da semana passada e na verdade é tudo mentira, melhor voltar pra minha terra que sei como as pessoas sao...
Mas aí olho as discussoes e idéias, e sabe qual a cabeca que eu tenho pra conceito e teoria agora?...
Eu quero é suar... Ter a mao rachada do trapezio, as pernas doendo de dancar, dor no corpo de todos os lados e a energia de sair de casa pra fazer mais, sem perguntar muito porrque. Quero um chefe que me diga o que fazer, entender que se eu der o impulso meio segundo mais tarde é mais fácil de subir, se eu descer 2cm mais no pliet eu pulo mais alto, concretudes, certezas, verdades...
Mas eu também quero simplesmente olhar nos olhos do publico, nao mover um musculo, nao abrir a boca e dizer tudo, e chorar porque eu sou eu...
Descobri que nao importa o que eu faca, a pessoalidade vai estar lá, vai transbordar pelo ar, vai encher a sala de mágica. Como eu junto isso tudo? Comojuntar a sensacao de voar pro infinito, cairno nada fazer loucuras corporais e estar lá eu mesma, presente, absoluto...
Arranco os cabelos, nao tenho respostas...
Nao dá pra voces virem pra cá nao?????

16 de novembro de 2008

Sobre a reunião

Olás!!

Eu que fiquei de passar o que discutimos na reunião de quinta... desculpe a demora.
Bom, primeiro foi bom ler e saber que você pensou as coisas no caminho que nós também pensamos.
À princípio, levantamos várias "técnicas" e jeitos de abordar a pessoalidade (preciso pesquisar o histórico desta palavra) na interpretação, mas a Naty levantou e concordamos que o lance não é elencar técnicas como num currículo escolar. Além das que vc. elencou, tínhamos pensado bufão/ clouwn, Barba (dentro do trabalho que a Patrícia Leonardelli faz), performance, dança somática (que eu não sei muito o que é, mas a Naty disse que ela contém técnicas como a do nova dança e outras).
Bom com isso, no primeiro ano, pensamos em três módulos que seriam os seguintes:

3 meses
- Dois meses de técnica de jogo no universo do clouwn e do bufão (deixamos aberto assim para conversar com a Dedé paa ver o que ela acha). Achamos que estamos sempre perseguindo o jogo nos nossos trabalhos e que precisamos nos aprofundar nisso.
- 1 mês para "digerir": 2 semanas para fazer a "antropo/metodofagia" com o nosso trabalho, 1 semana para planejar como transformar essa "antropo/metodofagia" numa oficina (eles pedem oficinas e achamos que poderia ser um jeito organico de propor), 1 semana de oficina.

OBS:
- Isso tudo, fora possíveis ensaios do repertório que pensamos no Ruído, Seis da Tarde, Voo Solo e nos perguntamos sobre o Retornarse no sentido de que nos pareceu ser necessário montá-lo praticamente de novo porque senão parece para mim obra de um museu, precisaríamos encontrar o que faz sentido para nós e ... teríamos tempo para isso?? Outras sugestões são bem vindas.
Ahhhh! Aproveitando o ensejo, Gabi, como é isso tudo para você?? Temos vontade de ouvir o que vc. está pensando e dialogar mais porque vc. também estaria neste projeto... ou naõ?????

+ 3 meses
- "A mémória na composição do ator" pensamos no Cacá Carvalho partindo do trabalho dele que achamos ter base em Stan. e Grot.
repete tudo que coloquei lá em cima

+ 3 meses
- Não me lembro bem se o nome era esse, alguém que estava na reunião me ajude: "A pessoalidade no trabalho do ator", fica muito parecido com o do Cacá por isso estou achando que o nome não é exatamente esse. Pensamos no Matteo Bonfitto pelo trabalho com ações físicas/vocais e como levar tudo isso para um texto.
repete tudo o que coloquei lá em cima.

Os 3 últimos meses no primeiro ano seriam para encontrar o que é a pesquisa para o ano que vem (Eu particularmente gosto do recorte rússia, a gente consegue ligar com o que está fazendo e me interesso pelos escritores que conheço).

Além de tudo isso, pensamos em um acompanhamento com algum profissional que fosse constante e pensamos na Isabel Setti que trabalha com a voz partindo muito do corpo e tem uma abordagem mais "energética/espiritual" por trazer referências do tai chi e chi kung ( não sei se é assim que escreve)

Não podemos nos esquecer das mesas redondas que não deu tempo de pensar com calma e da circulação dos espetáculo....

Isso tudo só o primeiro ano.

Ahhh! Levantamos de novo a possibilidade de convidar os atores do ruído....o trabalho com eles tem sido afinado e ficamos com vontade de convidá-los tanto pelo que eles podem enriquecer o trabalho, quanto pela entrega que estão tendo sem receber, por enquanto, nada como troca financeira. O que acham?

Por fim , uma encanação minha: Será que é bom escrever sobre novos projetos no blog, pode ser besteira mas, é um projeto que não está pronto e acho estranho escrever sobre ele numa página, teoricamente aberta. Dependendo do que clicarem em busca, chegam aqui... Sei lá posso estar sendo louca, mas isso é realmente nosso assunto e de mais ninguém !!!
Bj
Ma Corazza

13 de novembro de 2008

Re: [Correspondências] ja comentando

recomentarios!
rsrsr

Na primeirta fase eu "não" abriria mão do Butoh, Artaud eu entendo não entrar.

Não duvido que exista uma literatura extraordinária na Russa (conheço alguns dos citados e gopsto muito), mas não sei se precisamos fechar na Russia. Literatura extraordinário tem no mundo todo. a gente sempre vai encontrar alguém que nos instigue muito... enfim...
Mas ainda acho que poderíamos ter uma construção dramatúrgica própria....
Só pra continuar causando...

Beijos
Tha

2008/11/13 Mauricio Veloso <mauveloso@ip2.com.br>
comentarios breves, já que eu passeipor aqui antes de ir cormir...

primeiro, acho que a gente realmente deve se conter quanto à QUANTIDADE de técnicas experimentadas, para que o trabalho com cada uma delas seja significativo. Por isso propus o numero de 4, me parece que mesmo com as diferentes etapas dentro de cada módulo, conseguimos um tempo bom para apreender a técnica, que é ao meu ver o que mais importa nesse momento.

Segundo, importante: estou tentando falar de técnicas de interpretacao (ok, interpretacao nao é a melhor palavra, já que butoh, por exemplo nao é interpretacao, mas de técnicas cênicas, por assim dizer). É importante ao meu ver, pensarmos sobre essa ótica prática. Artaud, por exemplo, pode ser um grande pensador, mas nao desenvolveu uma técnica, por isso eu nao o tomaria como possibilidade

Terceiro e último quanto aos russos: me parece que foi um direcionamento discutido na nossa reuniao, por isso o coloquei. Por outro lado, entendo a excessiva montagem de Tchecovs como um ponto negativo ao projeto, e esse é um dos motivos pelos quais propus essa abordagem mais genérica. Em tempos, Thais: há muito mais (e muuuuuuuito mais) vida inteligente na literatura russa alem de tchecov. So pra pegar alguns exemplos: dostoiewski, maiakowski, turgeniev, gorki, etc. Alias, alguém conhece um romance chamado verao em Baden-Baden do Leonid Zypkin? É um dos livros mais incriveis que eu li nos ultimos tempos (e é russo)

beijos
mau

--
Postado por Mauricio Veloso no Correspondências em 11/13/2008 07:45:00 PM



--
Thaís de Almeida Prado
http://thathais.multiply.com
grupos:
http://ciaautoretrato.multiply.com
http://corrosivo-olharescaldeiras.blogspot.com

sobre:
http://tr.premiosergiomotta.org.br/?p=95#more-95








ja comentando

comentarios breves, já que eu passeipor aqui antes de ir cormir...

primeiro, acho que a gente realmente deve se conter quanto à QUANTIDADE de técnicas experimentadas, para que o trabalho com cada uma delas seja significativo. Por isso propus o numero de 4, me parece que mesmo com as diferentes etapas dentro de cada módulo, conseguimos um tempo bom para apreender a técnica, que é ao meu ver o que mais importa nesse momento.

Segundo, importante: estou tentando falar de técnicas de interpretacao (ok, interpretacao nao é a melhor palavra, já que butoh, por exemplo nao é interpretacao, mas de técnicas cênicas, por assim dizer). É importante ao meu ver, pensarmos sobre essa ótica prática. Artaud, por exemplo, pode ser um grande pensador, mas nao desenvolveu uma técnica, por isso eu nao o tomaria como possibilidade

Terceiro e último quanto aos russos: me parece que foi um direcionamento discutido na nossa reuniao, por isso o coloquei. Por outro lado, entendo a excessiva montagem de Tchecovs como um ponto negativo ao projeto, e esse é um dos motivos pelos quais propus essa abordagem mais genérica. Em tempos, Thais: há muito mais (e muuuuuuuito mais) vida inteligente na literatura russa alem de tchecov. So pra pegar alguns exemplos: dostoiewski, maiakowski, turgeniev, gorki, etc. Alias, alguém conhece um romance chamado verao em Baden-Baden do Leonid Zypkin? É um dos livros mais incriveis que eu li nos ultimos tempos (e é russo)

beijos
mau

Re: [Correspondências] projeto petrobras



Oi Mau,

a meu ver é por ai.
me interessaria muito trabalhar na primeira fase com Stanislawski, Artaud, Grotowski, Pina Bausch, Clown, Bufao, Butoh, Estranhamento Brechtiano, Contact Improvisation. Mesmo eles sendo aparentemente tão distintos... mas acho importante descobrir destas formas todas o que é "essencia" na arte.... (pensando grande... rs)

Ja no segundo ano, me questiono se deveriamos nos fechar à russia, se passaremos por tantas culruras e leituras no primeiro ano. e porque não a construção de uma dramaturgia própria??? a partir do trabalho destes estudos do ator e tal... Além do mais ultimamente voltou a estar na moda a russia... (não que ela tenha saido da moda, mas ultimamente todo mundo ta montando um tchekov...)

No geral acho que vai por ai...
mas nao estava na reuniao hoje a tarde então fiquei meio por fora...

Beijos
Tha


projeto petrobras

Olá para todos,
de forma curta, algumas informacoes que estou pensando para a petrobras. O pinem critiquem, discordem... É mais pra gente poder iniciar uma discussao do que qualquer outra coisa

duracao do projeto: dois anos
primeiro ano: pesquisa sobre técnicas de interpretacao que tomam a individualidade/pessoalidade (existe essa palavra ou é nossa criacao) como ponto fundamental do processo criatico
segundo ano: montagem de um espetáculo a partir da experiencia compartilhada durante o primeiro ano de trabalho. Partindo do processo atual da companhia (sobre as carta do TAM), gostaríamos de continuar nos debrucando sobre o universo russo; durante o primeiro ano serao experimentados trechos de algumas obras de autores russos de importância e a partir dessa experimentacao definiremos a obra a ser trabalhada no segundo ano (pensei em colocar dessa forma pq ainda nao temos certeza sobre o Tchecov - pelo que me lembro, talvez a Nat tivesse problemas e eu nao estou bem convencido - mas ao mesmo tempo é uma forma de indicarmos um universo sobre o qual nos debrucaremos e escolheremos o espetáculo do segundo semestre. Pretendo ainda citar alguns nomes...)

estrutura de trabalho - primeiro ano
quatro módulos de interpretacao:
(definir esses quatro módulos me parece o mais difícil do projeto por enquanto. De qualquer forma, me parece que há dois caminhos possíveis: um seria buscar técnicas o mais distintas possíveis, desde que elas trabalhem essa criacao a partir do individuo, o outro seria já optar por uma linha mais clara de foco pra definir esses quatro módulos (exemplos: construcao de personagem a partir da individualidade, uso do corpo como ferramenta criativa, etc.)

Algumas possibilidades que me ocorrem, de toda maneira:
Stanislawski, Grotowski, Pina Bausch, Clown, Bufao, Butoh, Estranhamento Brechtiano, Contact Improvisation. (como vocês podem perceber, há muitas possibilidades)

Pensei em cada módulo ter entre dois meses e meio (se a gente achar bom reservar um mes antes e um mes no final do ano para questoes burocráticas, de producao e organizacao) e três meses (se vocês acharem isso desnecessário). Pensei também que cada módulo teria quatro partes:
1. aproximacao teórica sobre o tema (feita por nós, sozinhos, a partir talvez de uma bibliografia sugerida pela pessoa que vai trabalhar conosco)
2. etapa de assimlacao técnica (esse nome é horrível): período de mais ou menos um mês em que trabalharíamos ligados a alguma pessoa que tem o domínio dessa técnica e cujo objetiva seria nos debrucarmos sobre ela (a técnica pura, independente das nossas vontades e projetos)
3. etapa de introspeccao: seria o momento de, novamente sozinhos, buscarmos a relacao entre essa técnica e o nosso método de trabalho. Nessa etapa estariamos novamente sozinhos, e poderiamos trabalhar nessa assimilacao tanto individualmente quanto em grupo
4. contato com o público: seria o momento em que testaríamos essa tecnica/sua introspeccao em relacao ao espectador. Essa etapa implicaria provavelmente também num breve momento de aglutinacao do material, mas num processo, ao meu ver, muuuuito simples, sem se preocupar com a construcao do discurso.

ok, acho que pra comecar a visualizar a primeira etapa é isso...

segunda etapa: essa é uma grande névoa pra mim. Nao sei nem por onde comecar, considerando que nao temos o texto definido, nao sabemos ainda exatamente em que estrtura vamos trabalhar, qual o nosso objetivo cênico, etc. Me parece que o que vale a pena tentar pensar aqui, sao conceitos gerais e coisas objetivas, do tipo:
conceitos, e por aqui entendo coisas que sao inerentes ao trabalho da auto-retrato, por exemplo, a questao da intimidade e de uma relacao próxima com o público; um olhar poético sobre a realidade e sobre a linguagem cênica, etc.
seria talvez pra se pensar: quando, onde e como queremos apresentar. Já que tudo é tao abstrato, acho que seria de bom tom se conseguíssemos trazer um pouquinho de concretude, e isso ajudaria. É claro que nao dá pra dizer, estreamos em 15 de outubro de 2010 na igreja da sé, mas pelo menos uma declaracao de intencoes, por exemplo de uma duracao de temporada, eu sugeriria estratégias para captacao de público, etc.

isso é o comeco da ideia, opinem...
beijos
mau

2 de setembro de 2008

oi Tha e todos,
coisas práticas... de vez em quando é bom, rsrsrs!
acho super bacana a coisa do edital do intercâmbio mas o fato é que nesse momento não vou me comprometer a olhar por falta absoluta de tempo. Se vc tiver esse tempo, pode olhar e passar pra gente?
Mau, algo novo sobre o espaço?
Beijos a todos
Nat
ps: nessa semana, pra quem não sabe, eu fui ver o ensaio do Ruído...
Tão bom entrar num lugar e sentir que você conhece aquilo... com nuances e novidades, mas a Auto-Retrato estava ali!
Beijos e beijos e vou mais!

27 de agosto de 2008

Apresentação do Mau

Oláaaa Cia Querida!

Faz tempo que não escrevo, mas estou por aí...
acho bacana a gente dar uma olhada com carinho no edital de intercambio cultural.

Sobre a apresentação do Mau, acho que posso arranjar um espaço, duas probabilidades:
um é um ateliê muito bacana aqui perto de casa... tenho uns projetos com eles, o dobras do extemporaneo;
e outro na casa das caldeiras porque estou desenvolvendo um projeto com o "corrosivo" um coleitvo de artistas que estou fazendo parte...
no caso da casa, teria que ver com O responsável pelas residencias...
no ateliê acho que é mais fácil e eles adorariam tb.

Todos são artistas que querem fazer intercambios, isso nos dois coletivos.
os blogs deles eu coloquei aqui na lista de links.

NESTA QUINTA ESTOU PROGRAMADA PRA VER O ENSAIO DA CIAAAA.
BEIJOS
THA

19 de agosto de 2008

Olás!

Por hora, só para avisar que não dá pra ser aqui no salão do prédio - no final de agosto vai começar uma reforma...
Conversando com a Má Co a gente pensou na casa dela ou na Balagan. Inclusive, se for na Balagan, de repente é o caso da gente pensar também em mostrar algo do Ruído.
Acho que a gente precisa, sim, fazer um encontro Auto-Retrato. Pelo menos, uma grande conversa/discussão.

Beijos e até breve!

Má Tranjan

17 de agosto de 2008

Oi Mau!

Que delícia que vc. está vindo pra cá!!
Não sei se a Má viu o Blog, então vou perguntar para ela do salão do prédio.
Apesar de estar a maior correria podemos fazer um segundo encontro parecido como aquele que fizemos em janeiro, o que acham????

Estou numa semana bem corrida, foi o prazo para enviar projeto para o PAC (estadual)... então por isso não consegui ainda escrever como quero sobre nossas escolhas e , em especial, sobre o Seis da Tarde.
Tenho pensado muitas coisas para escrever mas não quero escrever de qualquer jeito, gosto de escrever quando não tenho que me preocupar com o que eu tenho que fazer nas próximas horas, só daí consigo encontrar as palavras adequadas e que podem gerar mais movimentos.
Essas escrita não deixa de ser um processo criativo e eu quero respeitá-la como tal.
Tal tardarei... prometo!
Beijos e saudades
Marina Corazza

14 de agosto de 2008

Oi, só por que eu esqueci na minha última postagem.
Eu estou indo pro Brasil chego no 07 de setembro.
Nós vamos fazer algum tipo de encontro da companhia?
no 01 de setembro eu faco um ensaio aberto do meu solo por aqui.
Gostaria muito de poder fazer o mesmo por ai. Vocês me ajudam a organizar?

(uma coisa intima, só pra voces e mais alguns amigos)

pensei de repente que poderia ser no salao de festas do prédio da Matran. Mesmo que eu tenha que pagar alguma coisa, desde que nao seja muito. Pra minha seria legal ser logo que eu chegar ou logo antes de eu ir embora (no 19 de outubro, por exemplo)

beijos
aguardo noticias
mau

12 de agosto de 2008

Berlin, 12 de agosto de 2008

fico pensando no que escrever...
primeiro, é bom ter noticias, mesmo que as noticias talvez nao sejam exatamente as que a gente gostaria de ouvir... É bom saber que ainda existe a vontade de discutir, de experimentar, e todo conflito é importante como etapa de acerto, de nova percepcao do que está acontecendo, o confronto só acontece porque ele é necessário e porque todas as partes se importam e querem se sentir representadas. Antes o confronto do que a indiferenca, do confronto é possivel se encontrar um novo caminho, da indiferenca só pode surgir a estagnacao. Só pra pontuar a discussao, e ajudar a expressar o que eu penso, vou recorrer a um trecho do texto de Ludwik Flaszen, o "dramaturgo" do teatro de Grotowski, escrito para o programa de Doktor Faustus:

" (...) o treinamento do ator aqui nao pode ser separado do desenvolvimento completo do trabalho; para nós, cada personagem, cada producao nao deveria ser um objetivo em si, e sim um exercício, a preparacao para um exercício ainda mais complexo, a entrada em um universo até entao nao investigado (...)"

Sobre o segundo tema, com o qual eu realmente posso colaborar, a discussao que eu e a Nat comecamos sobre a pesquisa do grupo. Acho que nao preciso acentuar o quanto julgo a discussao importante, acho que já disse e repeti isso, por isso vou partir direto pra prática e propor uma nova abordagem pro problema a partir da solucao colocada pela Má. Proponho, pra comecar o raciocício, que facamos o caminho inverso: pensar, a cada processo, quais foram as questoes investigadas, o que nos motivou a fazer cada espetáculo. Pra mim parece ser mais simples como organizacao, porque nao tenho bem certeza das temáticas que cada um abrange, e pensar a partir deles me parece facilitar o desenvolvimento do raciocinio. Ai vai:

O Silêncio dos Mortos - possibilidades de combinacao entre texto e movimento; uso do corpo como uma ferramena expressiva com significado próprio, além da mera representacao do proposto no texto.

Esbocos sobre Picasso - novamente possibilidades de combinacao entre texto e movimento; início da pesquisa sobre como a individualidade de cada performer poderia ser utilizada como ferramenta criativa; composicao de uma dramaturgia criada a partir do processo de ensaio; criacao de uma dramaturgia presente, que só pode ser compreendida em conjunto com a encenacao na qual está inserida.

Voo Solo - combinacao entre texto e movimento; aprofundamento da pesquisa sobre o uso da individualidade como ferramenta criativa; aprofunamento da pesquisa de dramaturgia, propondo um tema como elo de ligacao entre as diferentes cenas do espetáculo.

Retornarse - ápice da pesquisa sobre a individualidade do performer, tornando-se ferramenta e tema do trabalho. Busca de uma forma performática nao interpretativa, nao representativa; investigacao sobre a possibilidade de comunicacao direta com o espectador; intensificacao da dramaturgia presente a partir do uso da improvisacao como jogo de cena. Busca de um novo espaco de apresentacao, que permitisse/aprofundasse a possibilidade de relacao entre ator e espectador.

80 por minuto - ?

Nao distância - como o processo de criacao a partir da individualidade de cada performer ( a essa altura já uma metodologia de trabalho) pode ser influenciado pela presenca de um material anterior que conduza o processo criativo. Como a dramaturgia do presente e a encenacao podem ser influenciadas por esse material criativo pré-existente. Aprofundamento da pesquisa de descoberta de um espaco cênico apropriado ao tipo de comunicacao pretendida entre ator e espectador

Ausência - mesmas questoes do nao distancia, a excecao do uso do espaco.

Seis da Tarde - ?

Acho que é isso pra comecar. Se eu fosse pensar nas minhas inquietacoes do trabalho, eu listaria elas portanto nessa ordem, de forma cronológica:

1. Uso do corpo como ferramenta expressiva independente do texto
2. Investigacao das diferentes relacoes possíveis entre corpo e texto
3. Busca de uma potencialidade expressiva pertencente a cada corpo.
4. Busca de uma qualidade criativa/expressiva ligada ao uso e expressao da história de cada corpo.
5. Desenvolvimento de uma dramaturgia específica para permitir a expressividade desse corpo, baseada na composicao interrelacionada entre interpretacao, encenacao e dramaturgia
6. Busca de um tempo (presente) e um espaco (intimidade) na qual essa dramaturgia pudesse se concretizar.
7. Busca de estímulos para aprofundar a pesquisa da individualidade, através do ampliamento do potencial de cada corpo.

acho que é isso, pra comecar
acho que agora estamos aquecendo
outro dia escrevo sobre os procedimentos de trabalho, mas acho que senao fica muita coisa de uma vez só pra assimilar.

beijos a todos

mau

7 de agosto de 2008

Não consegui dormir essa noite pensando na mensagem que escrevi, com medo de ter usado palavras erradas, ingênuas ou agressivas.
Conversei um pouco com a Ma Tranjan hoje, mas ainda não abrimos totalmente as questões para o grupo do Ruído porque o Caetano não está em São Paulo, vamos conversar na segunda.
Escrevi muita coisa sobre o trabalho que estamos ensaiando mas pouco sobre a relação dos núcleos e a questão inicial sobre nossa identidade.
Só queria amarrar tudo isso.

Acho que a dificuldade que estamos tendo de trocar sobre nossas pesquisas começa na fragilidade que temos (nós nucleo MaNatMaCae) em conceituar o que estamos fazendo. Refletir sobre a nossa prática levando em conta tudo o que coloquei no e-mail anterior vai não só aprofundar o trabalho que estamos fazendo aqui, como enriquecer nossas trocas e nos levar na direção de que coletivo é esse que culminou nestes três núcleos. (sei que estou escrevendo como uma professorinha, mas não me julguem por favor, é o sono).
Assim, para começar de forma simples e objetiva proponho que a gente enumere desde os primórdios, as investigações que nos interessaram (acho que isso mora no recorte da metodologia, dos princípios) e descreva sinteticamente quais procedimentos foram escolhidos e transformados para desenvolver essas pesquisas.
Também estou propondo isso como forma de nos auxiliar a olhar para todo este material e identificar o que faz sentido ser redescoberto neste novo trabalho, como atualizar para este contexto caminhos que já começamos a trilhar.
Para ser mais clara:
- movimento x texto - em esboço sobre picasso existiam partituras corporais criadas por meio da relação com determinadas obras. A essas partituras sobrepunham-se fragmentos de depoimentos dos próprios artistas. (Quais instruções eram mais adequadas, quias eram os perigos, etc...) Quais eram as referências teóricas e práticas? Pina Bauch?
- busca por estados e não personagens - processo que começou no Não-distância??? Mesmas perguntas
- a busca pelo depoimento sincero - Retornarse, quais foram os procedimentos
- a busca pela relação com a platéia - retornarse, identidade em crise
- o gérmen da performance - idem
- a persona - Seis da Tarde

Enfim , estou sendo superficial para lançar um debate pela rede sobre estes nossos caminhos de forma cronológica como se pudéssemos montar um mapa de como temos tentado resolver expressivamente/cenicamente nossas inquietações.

Além disso vou propor pra o núcleo Ruído na segunda que a gente traga mais as referências especialmente de Stanislavski para problematizar nossos improvisos, a criação das cenas. Não estou propondo que a gente pare para "pesquisar", mas que a gente crie maneiras de deixar essa pesquisa dialogar mais com o trabalho...
Bom, mil coisas
O que acham
Beijos
Marina Corazza