30 de abril de 2010

Lisboa, 30 de abril de 2010

amores,
ao colocar a data nesta nova postagem, quase escrevi: 30 de julho de...
É que as datas andam tão confusas para mim que quase penso que enlouqueci. A tal coisa do presente nunca estêve tão misturada no meu pensamento: hoje já era ontem, qualquer coisa assim.
Mas deve ser mesmo a vivência em Lisboa que faz isso comigo, o sol quente que invadiu a cidade depois de meses de frio, o tempo alongado das coisas aqui, a sensação de que, mesmo assim, lá se vão seis meses que aqui estou. E isso é muito tempo. Mas as mudanças são pequeninas, quase invisíveis, como o movimento do Tejo, que no entanto é tão grande e potente. Parece que as coisas se confundem em mim agora, reinventam-se. Semana de ventos fortes por aqui.
Essa semana falei muito de vocês. Falei de cartas com um amigo e falei de vocês. Falei de projetos novos e antigos com a Julia, prima tão querida do Caetano, e falei de vocês. Falei de memória num projeto de projeto de mestrado que tento escrever, e falei de vocês.
Sinto no ar uma coisa engraçada, e disso não consigo falar ou escrever. Onde andamos cada um de nós? O que persiste de vocês em mim? Estar longe é às vezes aceitar ser esquecido.
Saudades das nossas longas conversas e postagens.
Beijos cheios de movimentos invisíveis.
Nat

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